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De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2010 a parcela populacional correspondente aos idosos era de 6,78%, atualmente 8,17% da população é considerada idosa, com 65 anos ou mais. As projeções do IBGE apontam que em 2030 o Brasil terá 13,44% de sua população composta por idosos (IBGE, 2016), destacando desta forma, o aumento de idosos na população.

Diversos sistemas do corpo humano apresentam diminuição de função devido ao processo de envelhecimento, dentre esses podemos destacar os sistemas ósseo, muscular, cardiorrespiratório e nervoso. Os decréscimos a nível sistêmico acabam afetando o organismo como um todo, o que em conjunto levam o indivíduo à diminuição da capacidade funcional (Fechine & Trompieri, 2012).

A manutenção e aprimoramento da capacidade funcional é extremamente importante (Rikli & Jones, 2012). Sua manutenção está ligada à realização de suas atividades da vida diária (AVD’s), como atividades domésticas simples, subir escadas, levantar e transportar objetos, caminhar para fazer compras ou para deslocar-se em casa e pela vizinhança, dentre outras (Andreotti & Okuma, 1999).

Essa redução na funcionalidade relaciona-se com vários tipos de fatores determinantes para a saúde, dentre eles doenças crônicas, hábitos sedentários, incapacidade e uma menor qualidade de vida (Mitnitski et al., 2002; Vagetti et al., 2014). Contudo, a prática de exercícios físicos pode ser usada para melhorar a capacidade funcional, a aptidão física relacionada à saúde e a qualidade de vida (Abdala et al., 2017; Brunoni et al., 2015; Franchi e Montenegro, 2005; Vagetti et al., 2014), além de atenuar as alterações decorrentes do processo de envelhecimento (Avelar et al., 2016).

O treinamento funcional tem como base exercícios que desafiam os diferentes componentes do sistema nervoso e estimulam a sua adaptação, melhoram o desempenho relacionado ao gesto esportivo. Ainda, tais exercícios estimulam os receptores proprioceptivos, os quais proporcionam melhoria no desenvolvimento da consciência sinestésica e do controle corporal, no equilíbrio muscular estático e dinâmico, diminuem a incidência de lesão e aumentam a eficiência dos movimentos (Leal et al., 2009).

O equilíbrio corporal representa uma variável desejável para pratica esportiva em geral a manutenção do equilíbrio postural é feita tanto pelas propriedades viscoelásticas dos músculos quanto por ajustes posturais desencadeados por informações sensoriais

visuais, vestibulares e somatossensoriais ou proprioceptivas, a propriocepção é uma das fontes sensoriais que parecem ter maior expressividade no controle postural (Souza et al., 2006).

A propriocepção representa um mecanismo de percepção corporal cujos receptores periféricos (localizados nas estruturas musculoesqueléticas) enviam informações relativas ao movimento, estado de posição ou grau de deformação gerado nessas estruturas ao sistema nervoso central (SNC), que terá a função de processar, organizar e comandar o corpo adequadamente a fim de manter o controle postural (Tookuni et al., 2005; Winter, 1995). Contudo, mediante algum comprometimento do sistema proprioceptivo, ocorrem déficits na estabilização articular neuromuscular que podem contribuir para a ocorrência de lesões musculoesqueléticas, e, consequentemente, para a desestabilização postural (Baldaço et al., 2010).

Sobretudo, o treinamento funcional, é um espectro de atividades que condicionam o corpo consistentemente com a integração dos seus movimentos e/ou utilizações (Santana, 2007). A função deve ser vista como uma abordagem integrada (ao contrário de isolada) que envolve o movimento de partes múltiplas do corpo em múltiplos planos” (Gambetta, 2007).

Dessa forma o treino que visa a funcionalidade tem por objetivo condicionar o indivíduo para qualquer ação motora, que seja eficaz e efetivo na resposta a cada estímulo, independentemente da idade, condição física e psíquica “num ambiente que preserve o equilíbrio e a estabilidade das articulações enquanto evita riscos de lesão.” (McGill, 2009)

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